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03 Fevereiro 2012 Escrito por 

A origem das águas

Por volta do ano de 1545 as águas quentes da região de Caldas Novas e Rio Quente foram citadas pela primeira vez em uma publicão espanhola. Nessa época já eram feitas incursões de índios, com trilhas que iam do Rio de Janeiro até Machu Pichu, no Peru. Os índios falavam uma praticamente uma só língua, o que facilitou muito as incursões que só foram aumentando com o passar do tempo.

O pau-brasil e depois o açúcar, principais atividades econômicas estavam concentradas no litoral e eram destinadas à exportação. A produção do açúcar utilizava mão-de-obra escrava indígena e africana e tecnologia portuguesa. No século 18 houve um grande impulso da economia com a mineração, o que originou um movimento de gente para o interior do país,  com a formação de Bandeiras, cujo o objetivo  maior era a descoberta de ouro, pedras preciosas e índios para escravizar.

Bartolomeu Bueno da Silva, o filho do Anhangüera, em 1722, ao desviar-se do caminho que seu pai, anos antes havia traçado, encontra as fontes termais formadoras do Rio Quente, que foram denonimadas Caldas Velhas, onde hoje está situada a Pousada do Rio Quente. Os índios da região eram os Guaiás, da tribo Tupi, cujo nome significa pessoa igual, da mesma raça. Os Guaiás e já conheciam os poderes terapêuticos das águas quentes. Essas tribos foram sendo exterminadas pelas doenças trazidas pelos brancos e por serem levadas para outras regiões como escravos. Os mamelucos,resultado do cruzamento entre os homens brancos com  as indias locais, foram os grandes responsáveis pela interiorização do país pois tinham os conhecimentos dos índios sobre a região, falavam a mesma língua, e também aspiravam ter o mesmo status dos pais.

O processo de formação das águas quentes

A empresa estatal Furnas Centrais Elétricas, foi quem realizou até hoje, maior estudo sobre as propriedades termais das águas de Caldas Novas e Rio Quente. Tal pesquisa seu deu em função da possível influência da barragem da Usina Hidrelétrica Corumbá I sobre o lençol termal da região, que estaria sob o risco de esfriar.

Segundo Furnas, o fenômeno das águas quentes decorre devido a características geológicas e topográficas bastante particulares. As águas são aquecidas com o calor de camadas profundas do interior da Terra.

O xisto e quartzito são minerais comuns no subsolo da região. Ambos são constituídos por camadas impermeáveis. Entretanto, o xisto é uma formação rochosa mais plástica, isto é, mais moldável pelas forças exteriores; enquanto o quartzito é uma rocha mais rígida, sob pressão, permitindo a formação de grandes conjuntos de fraturas. Nessas  fraturas de quartzito as águas termais encontram as condições ideais para se formarem.

Com a infiltração da água da chuva no topo das Serras de Caldas e da Matinha,  a água quente, confinada sob as camadas de xisto e quartzito, fica submetida a uma pressão muito grande, equivalente à pressão de uma coluna d'água de mais de 600 metros de altura.

Essa água se infiltra por fraturas que atravessamos xistos, interligando a superfície do solo aos quartzitos, permitindo que a água quente, aflore naturalmente, como ocorre na, Pousada do Rio Quente e na Lagoa Quente do Pirapitinga. Essa água sob pressão também pode ser captada antes de aflorar, através de bombas instaladas em poços, como é o caso dos hotéis e clubes de Caldas Novas.

Durante algum tempo,houve o temor de que a água fria da barragem da Usina Corumbá I poderia se infiltrar no lençol termal de Caldas Novas e Rio Quente. Essa peocupação entretanto, não procede,pois as águas do lago estão a cerca de 595m acima do nível do mar, e portanto, bem abaixo de onde se formam as águas quentes, atualmente, na cota 644.

Caldas Novas, com aproximadamente 86 poços em atividade, é a maior estância hidrotermal do mundo. Para se ter uma idéia, esses poços  bombeam uma média de 1.200 m³ de água por hora, em um regime de 14 horas diárias de água quente com temperatura entre 34 e 57ºC. Além disso a cidade possui uma rede hoteleira que oferece mais de 12 mil leitos, em estabelecimentos dos mais diversos tipos. Em outros lugares do mundo até existem outras estâncias, algumas até com água em temperaturas superiores. Entretanto, essas estâncias localizam-se em pequenas cidades, instaladas em meio a um ambiente bucólico, onde a exploração da água é feita por poucos empreendimentos. Por isso os cidadãos caldasnovenses podem sim se autoproclamarem como moradores da maior estância hidrotermal do mundo sem temerem estar sendo exageradamente barristas ou imprecisos nessa afirmação.

Em Budapeste, na Hungria, por exemplo, localiza-se um aqüífero termal que é muito maior do que o de Caldas Novas e Rio Quente. Contudo, essa água é utilizada na irrigação, na refrigeração, na indústria e, em pequena escala, no turismo. Na Itália e Nova Zelândia também existem grandes aqüíferos termais, mas que também acabam sendo explorados de outra formas,como por exemplo, para a geração de energia.

Mesmo em Goiás, existem outros municípios que possuem fontes hidrotermais, corno Itajá e Cachoeira Dourada. Também em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia, Rio Grande Norte e Tocantins, há o registro de fontes termais, mas nada que se compare com o complexo turístico hidrotermal instalado na região de Caldas Novas e Rio Quente.

Esqueçam a história do vulcão

A  explicação sobre a origem das águas termais tem muitas versões sendo que a mais difundidas é, sem dúvidas  a de que teria existido um vulcão, extinto há milhões de anos.

Essa versão no entanto, não encontra eco entre os cientistas e estudiosos do assunto. Estudos mais modernos mostram que não há indício de vulcanismo na região de Caldas Novas e Rio Quente, idéia reforçada pela forma elíptica da Serra de Caldas, que pode ser vista na foto de satélite mostrada ao lado.

Segundo professores do Departamento de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), o fenômeno das águas quentes  se deve às características do terreno da região, repleto de fendas e constituído predominantemente de quartzito, semelhante ao que ocorre em Cristalina, também em Goiás.

Águas que curam

As águas termais, provenientes das camadas profundas do subsolo, quando bebidas na fonte por vários dias, agem como uma lavagem interna do aparelho digestivo, sendo indicadas nas infecções e moléstias alérgicas em geral.

Efeitos Benéficos

· Afecções do aparelho digestivo
· Aumento da diurese e excreção do ácido úrico
· Produz efeito sedativo sobre o sistema nervoso
· Estimulante do metabolismo das glândulas endócrinas

Indicada para tratamento

· Reumático
· Alérgico
· Para gastrite
· Afecções da pele
· Artrite
· Nevralgias
· Nefrites e afecções articulares
· Abaixa a pressão arterial, especialmente na arteriosclerose.
· Eliminação de depósito gotoso
· Melhora a digestão gástrica e duodenal
· Aumenta a vitalidade sexual
· Ação notável nas afecções do nervo simpático

A verdadeira fonte da juventude

Composição Química das Águas Thermais - Resíduos em suspensão ausente

Resíduos 180o C 126,2 mg/l 
Anidrido carbônico total (CO2) 95,6 mg/l 
Anidrido carbônico (CO2) 16,7 mg/l 
Alcalinidade (em CoCap/100.000 de água) 10,5 partes
Matéria orgânica (em O meio ácido) 1,1 mg/l
Cloretos (Cl) 0,4 mg/l
Sulfatos (SO4) 8,4 mg/l
Nitratos (NO3) 0,7 mg/l
Nitratos (N02) 0,01 mg/l
Sílica (SlO2) 34,7
Ferro (Fe 1--1--1-) 0,2
Alumínio (Al-1-1--1-1-) 0,2 mg/l
Cálcio (Ca-1--1-) 21,3 mg/l
Magnésio (Mg-1--1-) 5,9 mg/l
Amônio (NH-1-) traços
Alcalinos (em Na-1-) 76 mg/l

A versão da ciência sobre a origem das águas quentes

As fontes termais de Caldas Novas brotam da cratera de um vulcão extinto há milhares de anos? Ou são fontes enriquecidas com minérios de urânio desintegrados presentes na serra de Caldas? Qual será a verdade sobre a origem das águas quentes?

Segundo o cientista Rui Bueno de Arruda Camargo, numa época muito remota do vulcanismo, houve uma convulsão telúrica no planalto de Goiás, e uma imensa montanha de forma circular  expelia lavas, cinzas e gases de seu topo. Esta erupção durou milhares de anos.

Depois disso, graças a outros milhares de anos de desmoronamentos sucessivos que se passaram e a erosão das chuvas e do vento que corroeram as bordas desse vulcão, aliados a decomposição das rochas e a dissolução das larvas e cinzas, carregadas pelas enxurradas, o vulcão extinto foi sendo entupido. Com esse entupimento, o calor e a pressão dos gases internos, provocaram trincas na rocha, dando origem a numerosa fontes de "gêiser" na base da montanha. Num dos pontos, onde havia maior número de fontes, a quantidade de água era tanta que formou-se um ribeirão de águas quentes.

Há pouco tempo surgiu a chamada "teoria do recalque", que diz que  a Serra de Caldas é uma área de retro-alimentação e que possui um reserva de águas freáticas em níveis bastante volumosos. Essa água penetra através das fendas das rochas adquirindo as propriedades físico-químicas que a caracterizam.

Bibliografia:

Caldas Novas, Além das Águas Quentes . (Carlos Albuquerque / 1996).
Historias e Estórias de Caldas Novas . (Jose Theophilo de Godoy / 1978).
As Fabulosas Águas Quentes de Caldas Novas . (Taylor Oriente / 1968).
Complexo Termal de Caldas Novas . (Antonio T. Neto - Valter Casseti / 1981).
Águas Thermaes de Caldas Novas . (Dr. Orosimbo Correia Neto / 1918).
Caldas Novas a Nossa Cidade . (Magali Izuwa / 2003).
Caldas Novas da Mineração ao Turismo . (Ricardo Cassiano / 1988).
Caldas Novas, Ontem e Hoje . (Ana Cristina Elias / 1994).
Mistérios Das Águas Azuis . (Maria Cândida de Godoy / 1993).



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